sábado, 23 de janeiro de 2016

Muito Além... Da Beleza De Um Botão Que Teus Olhos Tem [Coraline - Neil Gaiman]

Em uma tarde chuvosa, Coraline consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários. Venha mergulhar no universo de Coraline aqui, no Muito Além das Aspas.




Coraline é um livro de fantasia/terror do autor britânico Neil Gaiman, publicado em 2002 pela Bloomsbury, no Reino Unido e pela Harper Collins, nos Estados Unidos. No Brasil, sua primeira edição foi publicada pela Rocco em 2003.

Ganhou os prêmios Hugo Award e Nebula Award de melhor novela de 2003 e o Bram Stoker Award de melhor trabalho de novos escritores de 2002. Foi comparada com Alice no País das Maravilhas de Lewis Carroll por causa de seu surrealismo e de sua trama baseada numa realidade alternativa.

Em 2009, a Universal Pictures lançou a adaptação deste romance para as telonas em formato Stop-Motion. Para quem não manja muito de termos técnicos (Como eu as vezes, rsrsrs) Stop Motion (que poderia ser traduzido como “movimento parado”) é uma técnica que utiliza a disposição sequencial de fotografias diferentes de um mesmo objeto inanimado para simular o seu movimento. Estas fotografias são chamadas de quadros e normalmente são tiradas de um mesmo ponto, com o objeto sofrendo uma leve mudança de lugar, afinal é isso que dá a ideia de movimento. No cinema o material utilizado tem de ser mais resistente e maleável visto que os modelos precisam durar meses, pois para cada segundo de filme são necessários aproximadamente 24 quadros.

Coraline foi a 1ª animação em stop-motion a ser feita originalmente para o formato 3D. Coraline também é, até seu lançamento, o mais longo filme de animação em stop-motion já feito. Acumulou prêmios e elogios da crítica especializada:  o Rotten Tomatoes chegou ao consenso:

"Com a sua animação viva em Stop Motion combinada com história imaginativa de Neil Gaiman, Coraline é um filme visualmente deslumbrante e maravilhosamente divertido".

"Este é um livro maravilhosamente estranho e assustador." - Philip Pullman


O Autor

Neil Gaiman nasceu em 1960, na cidade de Portchester, Inglaterra. Desde pequeno, demonstrou sua ligação com os quadrinhos. Seu trabalho mais conhecido é "Sandman", que o imortalizou entre os fãs de HQs. Por 75 números, Gaiman e "Sandman" foram se tornando cada vez mais famosos. A série tornou-se o carro-chefe do selo Vertigo, destinado a um público geralmente adulto que não queria mais saber de super-heróis. O autor ganhou reconhecimento da crítica ao receber prêmios ao redor do mundo, entre eles o prestigiado World Fantasy Award, geralmente concedidos apenas a obras em prosa.
Entre outros vários trabalhos com HQs, romances e roteiros, Gaiman publicou os livros "O Oceano no Fim do Caminho", "Deuses Americanos" e "O Livro do Cemitério".

O Livro

Titulo: Coraline (Coraline titulo original).
Autor: Neil Gaiman.
Edição: 1º - 2003.
Editora: Rocco.
ISBN-13:  9788532516268

Sinopse: Primeiro livro de Neil Gaiman escrito especialmente para o público juvenil, Coraline é um conto de fadas às avessas que reconhece a subestimada e, por vezes esquecida, maturidade da maioria dos jovens leitores.
Coraline acaba de se mudar para um apartamento num prédio antigo. Seus vizinhos são velhinhos excêntricos e amáveis que não conseguem dizer seu nome do jeito certo, mas encorajam sua curiosidade e seu instinto de exploração. Em uma tarde chuvosa, a menina consegue abrir uma porta que sempre estivera trancada na sala de visitas de casa e descobre um caminho para um misterioso apartamento ‘vazio’ no quarto andar do prédio. Para sua surpresa, o apartamento não tem nada de desabitado, e ela fica cara a cara com duas criaturas que afirmam ser seus “outros” pais. Na verdade, aquele parece ser um “outro” mundo mágico atrás da porta. Lá, há brinquedos incríveis e vizinhos que nunca falam seu nome errado. Porém a menina logo percebe que aquele mundo é tão mortal quanto encantador e que terá de usar toda a sua inteligência para derrotar seus adversários.

E para mim, como foi ler “Coraline”?

Mesmo já tendo assistido o filme milhares de vezes – praticamente decorado as falas de tanto ver – resolvi ler Coraline pela máxima que impera na cabeça de todo leitor: o livro é sempre melhor do que o filme. Colocando isso em discussão, esta foi uma das poucas vezes que não consigo escolher qual é o melhor. Mas não vamos colocar a carroça na frente dos bois.

Primeiramente, para quem já conhece o trabalho de Neil Gaiman, vai perceber sua grande característica: é um livro cíclico e que, se você tiver disposição ou tempo vago, é possível ler ele em um curtíssimo espaço de tempo. 

Coraline é um personagem que te remete a infância (outra característica da escrita de Gaiman, pelo menos dos livros que li até hoje). Curiosa e com bastante energia, na maioria do tempo se vê presa a um mundo monótono devido os pais nunca terem tempo para ela, pois estão sempre trabalhando.

E para aumentar esse sentimento de solidão, nada melhor do que ter amigos, certo? Pois nem isso mais Coraline tinha, já que seus pais se mudam de sua antiga cidade para uma antiga casa no campo, dividida em apartamentos. Enfim, esta é a Coraline que é apresentada. 

Mas com uma personalidade forte e um desejo de explorar tudo a sua volta, Coraline sempre encontra uma forma de amenizar a falta de atenção dos pais.

E foi no meio dessas explorações, Coraline vê sua vida transformada. De início ela pensa ser um sonho, onde atravessando uma portinha, cai em um mundo igual ao dela, ou quase. A diferença? Tudo naquele lugar estava como ela sempre quis: muitos brinquedos, diversão e atenção dos pais, que na verdade se diziam sua Outra Mãe e pai.

Mas algo intriga Coraline: porque as pessoas possuem botões no lugar dos olhos? E porque eles querem que ela costure esses botões em seus olhos para que possa ficar com eles? E porque seus verdadeiros pais sumiram depois de ela recusar ficar com os Outros Pais? 

E aí??? Chega, porque eu quero que vocês leiam o livro. Mas destaco que as trocas de cenas e o drama passado pela personagem principal são os pontos fortes do livro.

Com relação a adaptação para as telonas, foi impecável e as poucas coisas que divergem do livro não fazem com que a obra perca credibilidade, pelo contrário. Veja aqui o Trailer do filme:

trailer de Coraline


Vale muito a pena ler Coraline, que dependendo do seu ritmo de leitura, um final de semana em uma chácara, ou em uma viagem mais longa de ônibus/avião ou sei lá (rs) é mais que suficiente para terminá-lo. Com relação ao filme, se não viu ainda, por favor veja, pode ser que você não o considere tão bom quanto eu o considero, mas é uma boa pedida para uma reunião em família/amigos e uma pipoquinha.


E aí, gostou? Dá um curtir, comente e compartilhe com seus amigos!!! Até a próxima!!!

Fontes:  Adoro Cinema, TecMundo, Wikipédia.
https://www.skoob.com.br/coraline-689ed905.html
Imagens: Obtidas através de pesquisas do Google. Todos os direitos reservados aos seus autores!

sábado, 16 de janeiro de 2016

Muito Além... Da Vida [Como os Artistas Encaram o Que Acredita-se ser o Fim - A Morte]

E depois de meses de ociosidade, finalmente voltamos com nossa série em que tentamos desbravar indicar as curiosidades presentes no universo musical. Hoje, depois de tantas figuras criativas e plenamente produtivas que nos deixaram - Scott Weiland, Lemmy Kilmister, Natalie Cole e, mais recentemente, David Bowie - enveredamos pela temática da morte na produção musical de ontem, de hoje e de sempre. Assim sendo, apertem os cintos, navegantes da boa viagem, que nossa viagem promete papo curto e boa música! Nós, do Muito Além das Aspas, com muito pesar e respeito, vos apresentamos nosso Muito Além... Da Vida!




Lembro-me como se fosse ontem: eram os idos de 1900-&-Guaraná-de-rolha; eu brincava com os meus amigos de lançamento de disco, o que na prática consistia em imitar a modalidade olímpica de mesmo nome usando os LP’s dos meus vizinhos como instrumento. Isso mesmo! Era provavelmente o período de transição do Vinil para o CD e, seguindo as previsões apocalípticas que previam o que pensava-se na época ser o fim do disco, meus vizinhos, que podiam contar com esse luxo – lá em casa o K7 sempre imperou, motivo pelo qual compartilho da opinião do vocalista do Sonic Youth sobre nossa atual paranoia saudosista no endeusamento do Vinil, que pretendo abordar numa outra ocasião – aproveitaram para se desfazer dos poucos que ainda tinham.

E foi nesse caótico cenário de transição que a ouvi pela primeira vez...





Um desses moradores, talvez pra se despedir uma última vez do seu velho disco, colocou na vitrola o seu provável som favorito: o disco A Kind Of Magic do grupo de rock Queen. E (pá!) lá estava ela; a música que, logo assim que ouvi, fiquei hipnotizado: Who Wants To Live Forever. Na época eu não sabia, mas, mesmo sem querer, e sem entender um A de Inglês, aquele foi o primeiro dos meus muitos contatos com a temática da morte numa canção. 

Posteriormente, essa música específica, agora como trilha sonora, voltou a fazer parte do meu cotidiano. Ainda me lembro de Sean Connery e Christopher Lambert em Highlander usando e abusando da temática da jornada do herói num dos filmes que mais marcaram minha infância, muito embora, provavelmente pelo choque de gerações, eu só fosse realmente me identificar mais com o tema (imortalidade) anos depois com a faixa Live Forever da banda britânica Oasis (no álbum Definitive Maybe, que consegui de uma forma surpreendente que pretendo relatar num futuro não tão distante).



De My Chemical Romance e seu Welcome To The Black Parade; de Joy Division e a sua The Eternal; do NX Zero e a sua Cedo Ou Tarde... Rsrsrs Mil perdões, não consegui manter a seriedade depois dessa! Mas, voltando ao raciocínio: o tema morte acompanha, não só a música, mas a arte pop em geral, desde tempos imemoriáveis e cujas origens, para não me alongar muito, remetem à 2ª Geração do Romantismo literário (identificada como Mal-Do-Século, por todos os autores morrerem ainda jovens), que trouxe de volta à tona a dramaticidade, transformando temas polêmicos, como o suicídio por exemplo, em clímax artístico das artes.

Mais recentemente, o exemplo mais ilustrativo que tivemos foi a derrota para o câncer do gênio David Bowie. Artista esse que, como mencionado no post anterior, soube usar como ninguém a autoimagem na construção e desconstrução de todas as suas personas artísticas. Em seu álbum Blackstar, lançado dias antes da anunciação de sua morte, o artista soube como poucos transformar a iminência do seu falecimento em música – como na faixa Dollar Days e seu perturbador refrão "Estou morrendo... Estou tentando... Estou morrendo... Estou tentando...", ou, mais explicitamente, no clipe da faixa Lazarus, onde vemos um Bowie acamado dizendo, logo na primeira estrofe, estar no Céu.

Outro músico, coincidentemente fã de Bowie, e que também usou suas últimas aparições em público como contemplação de sua obra, foi o eterno líder do Nirvana e, para muitos, personificação do movimento Grunge, Kurt Cobain. É indescritível ver a interpretação da canção The Man Who Sold The World (de David Bowie) e não se chocar com o tom fúnebre que o espetáculo, para muitos um dos projetos Mtv Unplugged mais memoráveis já feitos, ganhou ao se tomar conhecimento do fim trágico que Cobain reservou para si.



Não que o tema seja tão fora do comum na música – compositores clássicos como Mozart e Frédéric Chopin já compunham temas fúnebres que demarcaram a estética inicial dessas cerimônias em todo o mundo ocidental –, mas, muito em parte devido ao monopólio da religião na produção musical no período conhecido como clássico, tais composições sempre foram tratadas como temáticas, para ocasiões específicas da vida pública. Muito provavelmente, esses compositores da época se surpreenderiam com músicas como De Encontro Com A Morte, do grupo de rap Facção Central. Sendo assim, a verdadeira virada ocorreu quando o lírico conseguiu chegar aonde a melodia já tinha permissão pra chegar. 

Fora da estética pop, o Metal também soube reservar muito do seu contraste entre peso e leveza na temática fúnebre. Alice Cooper (I Love The Dead), Iron Maiden (Dance Of Death), Black Sabbath (When Death Calls e Electric Funeral), Led Zeppelin (In My Time Of Dying), Metallica (Fade To Black), Scorpions (Under The Same Sun), dentre tantos outros povoam nosso imaginário quando se trata do além vida, mesmo muitas dessas abordando o tema com toda a irreverência característica do rock.

Na cultura popular brasileira não ficamos muito atrás. Talvez pela tradição católica do Dia de Finados, nossas músicas sempre contaram com uma liberdade maior para tratar do pós vida. Com isso, Legião Urbana (em Dezesseis e Vento no Litoral) e Titãs (Epitáfio e Flores), embora tenham oxigenado a música popular brasileira, já transitavam em campo já bem explorado por Nelson Gonçalves, Baden Powell e companhia.

É atribuída ao filósofo Ferreira Gullar a feliz colocação: “A arte existe porque a vida não basta”. De fato, o mundo seria sem graça não fosse a arte, e, nos momentos em que ela parece perder o rumo, é nela que encontramos conforto – direta ou indiretamente. Momentos de luto geralmente tornam-se mais brandos quando extravasamos nossas frustrações com a música, por exemplo. Talvez por isso, o luto por um artista cause tanta comoção em massa. Mas, abusando sem medo dos clichês, esses artistas mesmo na morte conseguem viver em nossas lembranças através do legado do seu trabalho. Afinal, se são todas as almas imortais, a alma e o corpo do artista também o são na memória do seu público. 




                                        

E é isso ai! Se você gostou, não deixe de curtir e compartilhar com seus amigos!!! Comentem a vontade também, até a próxima pessoal!
 


Fontes: Youtube, e pesquisa em sites de busca, mais texto de produção pessoal[Raul]
Imagens: http://homerolinhares.blogspot.com.br/2010/12/simbolismo-musica-e-morte.html